À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 16 de abril de 2018

UMBUNDU: Ndatambula lesumwõ lyalwa ukulihinso wolofa vya Arsenio Kapula, ulongisi welimi lyo Ingelesi vimbo lyo Katombela, veteke lyetali, omo lyuveyi. Kapula wakala kula lyange kolonepa vitatu: yatete, kelimi lyo Ingelesi; yavali, kupange wokutyasula alitalatu; yasulako, kupange vocitali co Sonamet. Kulimõlã ka pwi.

UMBUNDU: Ndatambula lesumwõ lyalwa ukulihinso wolofa vya Arsenio Kapula, ulongisi welimi lyo Ingelesi vimbo lyo Katombela, veteke lyetali, omo lyuveyi. Kapula wakala kula lyange kolonepa vitatu: yatete, kelimi lyo Ingelesi; yavali, kupange wokutyasula alitalatu; yasulako, kupange vocitali co Sonamet. Kulimõlã ka pwi.

PORTUGUÊS: Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento do passamento físico de Arsenio Kapula, professor de língua inglesa no município da Catumbela, ocorrido hoje, vítima de doença. A vivência de Kapula cruzou com a minha em três vertentes: primeira, a paixão pelo inglês; a segunda, a paixão pela fotografia; a terceira, o emprego no estaleiro da Sonamet, onde fui o trabalhador número Lob020. Até um dia.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

UMB: Handi vasapule ombela kombonge, seti opalaya yanda lovava

UMB: Handi vasapule ombela kombonge, seti opalaya yanda lovava

POR: Exªs, arguidem a chuva. Tipo que a praia morena foi com água

sexta-feira, 6 de abril de 2018

UMBUNDU: Ñalã Armindo Cambelele, ulongisi kwenda ukwawanji womoko yovalongisi vocimuka co Sinprof, watula omwenyo volupale wo Mbaka etali. Calinga esumwõ, capyãlã vali ene omo okuti ka velele, ciyevala okuti eye mwenle waima ondalu yomwenyo waye.

UMBUNDU: Ñalã Armindo Cambelele, ulongisi kwenda ukwawanji womoko yovalongisi vocimuka co Sinprof, watula omwenyo volupale wo Mbaka etali. Calinga esumwõ, capyãlã vali ene omo okuti ka velele, ciyevala okuti eye mwenle waima ondalu yomwenyo waye.
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PORTUGUÊS: O senhor Armindo Cambelele, docente e defensor dos direitos dos professores na Organização sindical Sinprof, faleceu hoje na cidade de Benguela. A tristeza é a dobrar, sobretudo por as notícias indicarem que não foi de causas naturais, ele próprio apagou a chama da sua vida.

Exercício de tradução e enquadramento de cântico umbundu "VONJO, VONJO, YELEH; NDAÑO SA WALELE ONANGA, MBELEKA" Alguém arrisca?

O LAR É SEMPRE UM LAR. MESMO QUE ME FALTEM PANOS, PONHO CRIANÇAS ÀS COSTAS. OU SEJA, MESMO QUE ME FALTEM BENS MATERIAIS, TENHO A RIQUEZA DA FAMÍLIA/MATERNIDADE. Como ressaltou o mais velho Celso Malavoloneke: "Minha casa é sempre minha casa. Mesmo sem pano, ponho o filho às costas"; significando: VALORIZA SEMPRE O QUE É TEU!

Amilton Leonardo: "Antropologicamente, está patente a questão da Maternidade. Para nós, africanos no geral, e angolanos em particular, o mais importante no lar é são os filhos; e o garante da dignidade da mulher consubstancia-se no acto de poder procriar."

quinta-feira, 5 de abril de 2018

UMBUNDU: Ulongisi, ocindekase cowiñi Vonjo Yovihandeleko, haye onoño londuko (n)Jaka (n)Jamba walaika okukakendiwa kekumbi lyetali vo Mbala yo feka, vo Luwanda. Eye watula omwenyõ omo lyuveyi wocitulu veteke lya mosi vo sãi yilo ya kupupu, kunyãmõ wulo wa 2018. (Elitalatu lyo Angop)


UMBUNDU: Ulongisi, ocindekase cowiñi Vonjo Yovihandeleko, haye onoño londuko (n)Jaka (n)Jamba walaika okukakendiwa kekumbi lyetali vo Mbala yo feka, vo Luwanda. Eye watula omwenyõ omo lyuveyi wocitulu veteke lya mosi vo sãi yilo ya kupupu, kunyãmõ wulo wa 2018. (Elitalatu lyo Angop)
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PORTUGUÊS: O professor, representante do povo na Casa das Leis, e também cientísta, Jaka Jamba, vai esta tarde a enterrar na capital angolana, Luanda. Faleceu de doença súbita (ataque cardíaco) na noite do dia 1.º de Abril de 2018) (Foto da Angop)

quarta-feira, 21 de março de 2018

sexta-feira, 2 de março de 2018

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Papo na Rádio Morena com escritor Gociante Patissa sobre literatura e desafios ao ensino do Umbundu (44 min)

Uma conversa solta com o escritor benguelense Gociante Patissa, que foi o convidado da edição de 17 de Fevereiro de 2018 do programa AIWÉ, SÁBADO na RÁDIO MORENA COMERCIAL, em BENGUELA, ANGOLA, com principal incidência para os desafios à produção literária em Angola e também os factores à volta do ensino das línguas africanas, com destaque para o Umbundu. 
Entrevistadores: CONSTANTINO TCHIVELA e RAQUEL NGUNDJA
Duração: Aprox. 44 minutos

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

ÁUDIO (45min) | Abordagem sociocultural do escritor Gociante Patissa sobre 4 de Fevereiro na Radio Benguela 2018 (45 min)

O programa ENTRE NÓS, da Rádio Benguela, apresentado por Filomena Maria, convidou na edição do dia 05/02/2018 o escritor benguelense Gociante Patissa para uma abordagem sociocultural em torno do dia 4 de Fevereiro de 1961, data do início da luta armada de libertação Nacional em Angola. A par do aporte cultural fruto da recolha da memória colectiva e da tradiçao oral Umbundu, Gociante Patissa emprestou também à conversa a sua condição de neto de Manuel Patissa, líder religioso do interior do município do Bocoio e antigo combatente que por conta da sua postura subversiva foi preso político de 1961 a 1965 na cadeia de São Nicolau, hoje Bentiaba, província do Namibe

TRILHAS: Sulunlã (Bessa Teixeira) e Monangamba (Rui MIngas)
www.angodebates.blogspot.comwww.ombembwa.blogspot.com

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Citação

"Kalupeteka eye lika profeta yo século 21. Nda vokayike watunda, ondimbu yokuti olwali wayovoka. Nda syo, tukasi kesulilo"

(arquivo) Nota solta | AINDA A MORTE INSTITUCIONAL DO K, W, Y NA TOPONÍMIA, NO PORTUGUÊS DE CÁ E A BOTA DE ASSIMILADOS QUE NUNCA MAIS DESCALÇAMOS

Tem muita piada, muita mesmo, o argumento "refinado" na classe intelectual para defender esse erro administrativo de nos continuarmos a negar a nós mesmos em nome da "união". Em duas ocasiões diferentes, uma num programa radiofónico emitido de Luanda para o país todo, outra noutro programa também radiofónico por Benguela, passou-se a ideia de que "quando escrevemos cota com a letra C [querendo dizer irmão, irmã, pessoa mais velha de nós, e em alguns casos pai/mãe], estamos a usar o português do Brasil e de Portugal. No português de Angola é que é com K." Mas, oh caramba!, não seria mais inteligente explicar como a palavra surge, ao invés de andarmos a branquear as coisas? Os portugueses e os brasileiros têm COTA, sim, com a letra C, que é indicador estatístico (como por exemplo a cota de 30% de representação feminina no parlamento). Agora, quando se trata de grau parentesco - e não há cá esses avanços para trás - estamos em presença da palavra de origem BANTU, que é KOTA. É assim em Kimbundu, é assim em Umbundu, pá! Se ao longo do processo histórico a "cultura superior" dominante foi cega às nossas raízes, cabe-nos, hoje que já somos (ou devíamos ser) soberanos, ensinar aspectos linguísticos na interdisciplinaridade com a história e antropologia. Como se já não bastasse a tendência de pronunciar o R carregado como se andássemos a expulsar uma espinha de peixe entalada na garganta, numa incompreensível vaidade de negar a nossa pronúncia palatina; como se já não bastasse andarmos aos sotaques mecânicos, mesmo quando até nunca botamos o pé na Europa (e não são poucos os casos); vem agora essa coisa de confundir influências regionais com erros de concepção ou normatização ortográfica. Não me venham com essas leviandades de "ah, no português do Brasil e de Portugal é com C, no nosso é que é com K", num subtil aconselhamento do tipo "tanto faz". Quer dizer, quando convém (como acontece com o ku-duro, as misses e o semba) evocamos orgulho ao que é nosso. Já quando tem que ver com aspectos da nossa identidade como africanos, reeditamos a bitola com que durante séculos fomos subjugados. Como dizemos no bom Umbundu, "Wakambi osõi!" (Tenham mais é vergonha!)
Gociante Patissa, 4 Janeiro 2015 | www.angodebates.blogspot.com

domingo, 14 de janeiro de 2018

"Vanãlãnãlã owu wiya, owu ka wiya eteke wukwambata" - adágio Umbundu

"Vanãlãnãlã owu wiya, owu ka wiya eteke wukwambata" - adágio Umbundu 
(Se estiveres a pescar, insiste na linha/rede que se deixa puxar, de contrário corres o risco de ser arrastado pelo que se esconde no anzol/rede preso na água)

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Obituário | Historiador Simão Souindoula desfalca comunidade científica angolana e não só

Foto: misosoafricapt
Conheci-o durante um "banquete" oferecido pelo Embaixador Americano em Angola, McMullen, no dia 13 de Setembro de 2012 às 18h30, que teve lugar no terraço da sua residência oficial em Luanda, para a qual fui convidado devido ao estatuto de alumini (pessoa que alguma vez beneficiou de bolsa de estudo ou programa de intercâmbio suportado pelo governo dos EUA). Face ao meu "pouco à vontade" congénito em ambientes festivos e de multidão, procurei aproximar-me à mesa do jornalista Lilas Orlov, onde estavam o jornalista Nelson Rosa e o historiador Souindoula. Empenhei-me para arrancar desta figura alguns subsídios, nomeadamente o papel do CICIBA (Centre International des Civilisations Bantu) no quesito harmonização das grafias de línguas africanas de matriz Bantu, assim como a representatividade etnográfica nos museus de Angola, onde visivelmente desponta o emblemático Samanyonga, conhecido como O Pensador, que vem da região Lunda Cokwe. Quanto ao CICIBA foi em certa medida um balde de água fria que não se façam entusiastas capazes de codificar e normatizar. Disse-me mais palavra, menos palavra, que eles (os peritos) também não conseguem chegar ao entendimento. Já sobre as peças museológicas, fiquei a saber que a antiga companhia diamantífera de Angola, isto no período colonial, investiu muito na representação da cultura Lunda Cokwe, estando na base de tal interesse, obviamente, o facto de ser ali que desenvolviam a sua actividade comercial. Entendido de outra forma, não houve um trabalho posterior de levantamento/investigação das demais sensibilidades etno-linguisticas que pudesse ampliar e diversificar o acervo museológico para, só mesmo por exemplo, termos um símbolo kwanyama, Ngangela, Ibinda, em escultura. Depois deste encontro, passei a beneficiar de artigos seus que me chegavam por e-mail, para além de termos colaborado no mesmo jornal, o Cultura. 

De acordo com o portal Rádio Angola, "Simão Souindoula foi representante de Angola no projecto “A rota da escravatura”, lançado em 1994 com o objectivo de abrir o estudo do tráfico de escravos à pluralidade de memórias, de culturas e de representações. Foi ainda defensor da criação de um museu dedicado ao início da luta armada pela libertação de Angola do jugo colonial português, cuja data é celebrada a 4 de Fevereiro. 

Enfim, ainda era só isso. Obrigado | Gociante Patissa | www.ombembwa.blogspot.com

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

(cânticos em Umbundu) 3.º Improviso de Natal da Família Patissa 2017 Benguela, Angola

O Natal dos filhos e netos de Victor Manuel Patissa e Emiliana Chitumba Gociante, bem como de alguns parentes por afinidade, vivido na casa nossa de férias na cidade de Benguela, foi cheio de improvisos e recreação inter-geracional. Cantamos, dançamos, transmitimos valores de cultura e identidade às crianças, saiu um coral de hinos cristãos (sem ensaios), valorizamos a língua Umbundu. VALEU MUITO, QUERIDA FAMÍLIA!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Exercício para tradução e enquadramento da metáfora umbundu-português (Vale três livros em PDF de Gociante Patissa)

"Cimboto ka lumana, pwãi layumwe wotikitiyile omwine vomenlã waye" 
(adágio legado pela senhora nossa mãe Emiliana Citumba Gociante. Grafia propositadamente rebelde face desactualizada norma)
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Alguém arrisca? Obrigado | www.ombembwa.blogspot.com

domingo, 17 de dezembro de 2017

Opinião | Alô, Ministério da Cultura, prémio para fomentar línguas nacionais não resulta sem investigação e norma

Foto: Angop
Exma senhora ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, 

Tomei conhecimento do anúncio feito por vossa excelência quanto à instituição de um prémio para a literatura feita em línguas nacionais em Angola, aquelas que heroicamente resistem há séculos à hegemonia institucional e institucionalizada do "monstro" e pouco dialogante no campo-intercultural de nome língua portuguesa.

É realmente louvável este gesto sob o ponto de vista da sua motivação, que é fomentar a valorização das línguas e com isto a intrínseca virtude da valorização cultural.

Já não estou tão de acordo quanto à estratégia do ponto de partida. Premiar indivíduos não é nem sustentável nem reflexo de um diagnóstico assertivo da problemática das línguas nacionais de matriz bantu e pré bantu.

Há que criar as bases, começando por concluir o estudo encomendado há mais de cinco anos a académicos africanos para a HARMONIZAÇÃO das grafias.

Embora concordemos com a axiologia segundo a qual a escrita de uma língua é algo artificial, se virmos o fenómeno linguístico como processo de aquisição inconsciente e reflexivo, uma vez que o natural da aquisição de uma língua ocorre por meio da imitação e da repetição, também não estaremos a afiançar nenhum dislate se advogarmos que a codificação/normatização é determinante para impor uma língua como factor de aprendizagem sustentado pela cientificidade.

Qual é afinal a posição do Estado angolano relativamente à dualidade ortográfica que nos "divide" entre católicos e convencionalmente bantus, com toda a dispersão que isto representa? Irá o júri optar pela norma do Instituto de Línguas Nacionais ou ficará em cima do muro? Iremos escrever "Kanjala" (pequena fome, que remete para um eventual episódio de estiagem no passado, onde o prefixo "ka" indica ora diminutivo ora depreciação) ou "Canjala" (conforme legado do Ministério da Administração do Território do governo passado, onde o "ca" não tem significado outro que não a contumácia jurídica de um povo que através dos seus representantes se apegou em decretos do regime colonial 40 anos depois de conquistar a independência)? Escreveremos "Kwanza" ou "Cuanza"?

Exma senhora ministra, pode parecer ingratidão, vindo de quem já embolsou da instituição que a senhora dirige um montante de 593 mil kwanzas no ano de 2012, pelo Prémio Provincial de Cultura e Artes, na categoria de investigação em ciências sociais e humanas, pelo contributo que vem prestando na divulgação da língua e Cultura Umbundu, através do conto e das novas tecnologias de informação comunicação. Mas impele-me a consciência patriótica e de estudioso para alertar enquanto é ainda cedo. Mais sustentável será investir na investigação como ponto de partida e não já na premiação de indivíduos.

Criando as bases, teremos frutos a médio e longo prazos.  O ensino das línguas nacionais ganharia alento para sair da letargia. Já premiando indivíduos, teremos presença cíclica e manchetes da imprensa e não muito mais do que isso. É que sem consistência nas bases, o próprio produto cultural premiado não encontrará depois aptidão intelectual na sociedade para a devida descodificação e multiplicação.

Reconheço que a condição social dos artistas é tudo menos confortável e que um prémio é sempre um incentivo ao génio criativo do artista e também à conta bancária. Mas no campo das línguas nacionais, o nosso estágio aconselha ainda arrumar a casa.

Esta é a opinião de quem por outro lado reitera a palavra no sentido de alimentar o sonho da chegada  do dia em que escrever em linguas nacionais não será mais um caminhar numa vereda em que tudo se permite e não há certeza do correcto e do não correcto. Aí, sim, prometo escrever em Umbundu contos originais e recolher da nossa tradição oral, assim como dar aulas na língua de que sou nativo, com ou s
em prémios. Ainda era só isso. Obrigado

Gociante Patissa (escritor e linguista)
Baía Farta, 16 Dezembro 2017 | www.angodebates.blogspot.com | www.ombembwa.blogspot.com

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Hino Nacional da República de Angola cantado na língua Umbundu (Elias Kapitango "Kunde Kwa Lile")


Iniciativa do senhor Elias Kapitango "Kunde Kwa Lile", actuando à margem da apresentação da monografia de licenciatura de seu sobrinho no Instituto Superior Jean Piaget de Benguela no dia 11/12/2017

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vocitanda combisi

Umbundu: Vocitanda combisi
Português: Loja do peixe
English: Fish shop

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Nda olete ongende yavetiwa longeva


Umbundu: Nda olete ongende yavetiwa longeva | 
Português: Na óptica do turista com saudades | 
English: Homesick tourist-wise

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Campanha Cabaz de Fim de Ano | ADQUIRA POR E-MAIL E GRÁTIS O LIVRO DE CONTOS «FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS», de Gociante Patissa

Os serviços de apoio de sua excelência eu tornam público que, a seu pedido e julgado procedente, o autor Gociante Patissa disponibiliza grátis de 07 de Novembro a 17 de Dezembro a versão digital no formato Adobe PDF do seu livro de contos intitulado «FÁTUSSENGÓLA O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS», a número 01 da colecção designada «Novos Autores», por via de uma Bolsa Literária da iniciativa do projecto «Ler Angola» no ano de 2014 e que foi descontinuado há por aí dois anos. Sustentam tal decisão a grande procura pelo referido livro, já esgotado na rede de mercados Kero, combinado com a extinção do projecto que editou a obra. Assim, em caso de interesse, deverá de preferência escrever para patissagociante@yahoo.com ou também deixar na secção de comentários o seu e-mail (na verdade a primeira via seria a mais aconselhável). Está-se a considerar a ideia de disponibilizar via whatsapp mas ainda não se chegou à conclusão quanto à viabilidade e conforto de ter de ler 120 páginas no telemóvel. Passe a palavra. Ainda era só isso. Obrigado
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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

(arquivo) Um pouco de antropologia cultural com adolescentes lavadores de carro

a) Enunciado (o mais fiel possível conforme observado):
“Já sabes? A minha vizinha virou maluca”.
“Ouvi que tem mais uma de Benguela”.
“Isso até
‘tá a dar medo”.
“Conheço uma miúda, não é bonita nem nada, tem um [Hyundai] i10. É samba”.
“Estão a pisar grandes máquinas”.
“Tipo nada, os kotas estão a largar”.


b) Enquadramento:
A ideia principal resume-se aqui: “Conheço uma miúda, não é bonita nem nada, tem um i10. É samba”. Há uma crença entre os Ovimbundu na existência de força sobrenatural para atrair homens, num estilo de vida intensamente promíscua com fins materialistas. Esse poder chama-se “samba”.

Sendo a existência do feitiço indiscutível, vale acrescentar que a sua essência é o status: acumular bens, chegar ao poder, manter-se no trono, proteger-se. Em
algumas comunidades, a tendência é masculinizar o feitiço (“umbanda”), sendo “oganga” o homem (que pode chegar a matar, porstatus ou por inveja) e “ocilyangu” a mulher (que supostamente anda fora de hora a dançar nua à porta de quem quer na desgraça). Quem recebe "samba" recebe “umbanda”, embora seja uma categoria mais leve.

Voltando ao diálogo, na percepção de beleza enquanto moeda, só as mulheres que completam os estereótipos (a tal beleza aparente) merecem ostentar bens, já que, “tipo nada, os kotas estão a largar”. Logo, para uma miúda que “não é bonita nem nada” ter um carro, só pode ser porque recorreu ao feitiço para iludir clientes com um charme que não possui. E, algo cíclico, começam a espalhar-se
informações sobre raparigas que alegadamente enlouqueceram porque o feitiço expirou, ou porque não teriam cumprido os preceitos do kimbanda.
c) Impressão final:
Ao mesmo tempo que me revi parcialmente no diálogo, por este representar repúdio à ascendente degeneração das relações humanas, onde adultos endinheirados corrompem raparigas com idade para suas filhas (ou mesmo netas), não deixei de sentir uma ponta de tristeza; aqueles lavadores de carros demonstraram estagnação quanto à visão de mobilidade social. Em nenhum momento se referiram a alguém (“feia” ou “bonita”) que tenha carro porque conseguiu formar-se, arranjou emprego e pediu crédito.
www.ombembwa.blogspot.com | Gociante Patissa, Aeroporto Internacional da Catumbela 13 Maio 2013

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Divagações | Um kapedido só ao kota Celso, agora número dois no Ministério da Comunicação Social, ya?

No dia em que os noticiários propagaram a nomeação do comunicólogo Celso Malavoloneke (CM) para o cargo de Secretário de Estado do Ministério da Comunicação Social (cargo equivalente a vice-ministro), sua excelência eu "embrulha" os parabéns na memória deste encontro que "se dei" com a excelência dele ali pelas bandas do São Paulo, em Luanda, no 31-08-2016. CM junta-se, assim, ao jornalista e escritor João Melo, recém-nomeado Ministro da Comunicação Social, cujo perfil reacende a esperança de se introduzir uma reformulação dos conteúdos e postura dos órgãos de comunicação social públicos. Católico fervoroso e antigo quadro das nações unidas, fora a passagem recente por distintos sectores do governo enquanto assessor, tem um sobrenome proverbial que na língua Umbundu significa Filhos do Tempo, o que pode tanto ser interpretado como alguém que persevera a meio a turbulências da vida ou então, num prisma diferente, alguém cujos caminhos residem no enigma do tempo. Estamos a falar de Malavoloneke (assim grafado mas para se ler /mã-lã-vo-lo-ne-ke/), sobrenome entretanto lido (no som ruidoso da já habitual tendência aportuguesadora dos nossos locutores) como /mala-vo-lo-ne-ke/ (quando na verdade nada tem que ver com malas, mas sim mãlã, significa filhos). Quanto ao kapedido, que não é original, é só não colocar fora da agenda a idosa esperança de abertura da Rádio Ecclesia em Benguela, que mais tarde se reinventou como Diocesana, ya? Ainda era só isso. Obrigado hahaha
www.angodebates.blogspot.com  

sábado, 19 de agosto de 2017

(arquivo) Sociolinguística | "OKO" ou "HOKO"? BREVE NOTA SOBRE O USO INCORRECTO DA INTERJEIÇÃO UMBUNDU EMPRESTADA AO PORTUGUÊS DE ANGOLA

Quando estiver a usar “oko” e “aka” para interjeição, você estará a fazer tudo, menos acertar. É que tem crescido nos últimos tempos, principalmente na comunicação coloquial das redes sociais, o uso de duas interjeições da língua Umbundu, as quais pretendem transmitir simultaneamente admiração e reprovação. O que faz confusão para quem acompanha com alguma acuidade é que se multiplica e populariza cada vez mais a gralha. O correcto seria “hoko!” e/ou “haka!”, isso mesmo, com H, aspirado, correspondendo ao português “Irra!”, “caramba!”. “Oko” tem outra função, a de advérbio de lugar, quer dizer lá. Por exemplo, “kwende oko” (vai lá mais é). “Aka” também é pronome demonstrativo, quer dizer este ou esta, mas com conotação diminutiva. Por exemplo, “okamõlã aka” (esta criancinha).
Talvez seja já demasiado tarde para a presente chamada de atenção, olhando para a experiência negativa no que respeita ao uso por empréstimo de termos e expressões de origem africana (Bantu) à língua portuguesa. Geralmente, dada a velha questão de status inclinado, a língua portuguesa acaba impondo corruptela, na ausência de rigor ou interesse para um mínimo exercício de pesquisa sobre o sentido, grafia e uso correcto da palavra, como ocorre por exemplo com a palavra "kota" (irmão mais velho), que emprestada à língua portuguesa virou "cota", facilmente confundida com indicador estatístico.
Por favor, quando quiser usar as palavras para expressar admiração/reprovação, não coma o H, se faz favor. É “hoko!” ou “haka!”.

Gociante Patissa. Benguela, 17 Agosto 2016

terça-feira, 25 de julho de 2017

EXERCÍCIO PARA TRADUÇÃO UMBUNDU-PORTUGUÊS (por favor, fazer também uma contextualização da mensagem)


"Nda olete apa okasi vakwene vakutukula ño l'uwa; vomenlã wavakwene, vosi vakusole ño calwa, oco ove ove okasi vemehi. Pwavakwene ove usuke po vali enene. Eci ño ofetika ndokuvotokapo kamwe, akuti ohali ndayu yipita, unvi wufetika." (adaptação de citação que ouvi ontem)
Handi oco ño lika. Ndapandula (Ainda era só isso. Obrigado)

domingo, 23 de julho de 2017

sábado, 8 de julho de 2017

Exercício para tradução UMBUNDU - PORTUGUÊS

"U ndeti itangi vyaye vyalwa. Nda wotumalelã, wiya oñoño; nda wokwmakwama, wiya onjanda."
(expressão satírica que ouvi do primo/irmão Malaquias Nejo Patissa)
Handi mba oco lika. Ndapandula (Ainda era só isso. Obrigado)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Exercício de tradução Umbundu-Português | "OMBYALI YETU YATWAVELA SUKU YIKASI LOKUPITA"

"OMBYALI YETU YATWAVELA SUKU YIKASI LOKUPITA"
(anúncio sonoro registado no município da Tchikala Tcholohanga há 12 anos)
Alguém aí com energias e vontade para mais este desafio de praticar a língua/cultura Umbundu? Ndapandula (obrigado)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Exercício para tradução | TRECHO UMBUNDU DE HINO CRISTÃO DA I.E.S.A

"A ndaululi, weh!"
"Ewa!"
"Ndotusapwile ko..."
"Ndisapula nye?"
"Owola ye tukasi cilo? Sanga tusima tuti selo, osimbu pwãi okuti etu twacilwa."

Alguém aí com garras para arranhar a empreitada? Handi oco lika. Ndapandula (ainda era só isso. Obrigado)
www.ombembwa.blogspot.com

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Oratura

Olusapo kUmbundu: "Eye ka vindila oña velamba" (calomboloka: nda ovinda omunu, kwenda osanga onã, kayisi vutwe. Esinumuinlõ: eye kohã nda olete cimwe cinvi)

Tradução literal: não é de deixar o piolho dentro da trança, quando for ela a trançar o cabelo a alguém.
Explicação: Não leva desaforos para a casa.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Top Benguela Acácia de Ouro | PRÉMIO SUNGURA DO ANO

Sukumunlã, que na língua Umbundu pode ser entendido como o imperativo do verbo descarregar (oku sukumunlã), do qual se infere que o artista se assume como uma fonte inesgotável de mensagens, é uma das vozes que melhor interpretam o cancioneiro popular, o qual "despeja" numa cadência de sungura. Para além da sua inusitada energia em palco, carrega a melancolia sobre o canto proverbial e as parábolas que constituem a matriz da região. Apesar de ter merecido numa carreira de quase duas décadas algumas distinções a nível local, dentre as quais o Prémio Provincial de Cultura e Artes, Sukumunlã continua sendo um desconhecido do grande público, fundamentalmente por culpa dos critérios do mercado, que fazem culto ao oco e a outros critérios fora do espírito da arte (estética e culturalmente falando) com um empurrão da comunicação social. O TOP BENGUELA ACÁCIA DE OURO teve a sua edição inaugural ontem (18/05) nesta cidade, numa iniciativa de Adão Filipe, pela Rádio Nacional de Angola.

Cultores da música tradicional Umbundu homenageados | JOAQUIM VIOLA E FLAY MERECIAM MAIS

Flay
Joaquim Viola (esq.) recebendo diploma 
das mãos do Vice-governador Victor Moita
A organização do Top Benguela Acácia de Ouro, da iniciativa da Rádio Nacional nesta cidade, cuja edição de estreia aconteceu a 18 de Maio durante as festividades dos 400 anos da cidade de Benguela, atribui diploma de mérito a algumas figuras do sector da cultura, entre promotores e apoiantes, pela sua relevância. O destaque do blog www.ombembwa.blogspot.com vai para dois nomes incontornáveis na recolha, tratamento e divulgação da cultura musical da região Umbundu, designadamente o mais velho Joaquim Viola, autor do clássico Tchiunge, e Flay, da Catumbela e radicado em Luanda, autor dos originais "Sassa Motema", "Doçura", entre outras adaptações do folclore. São duas gerações que parecem ligadas por um mesmo factor, o pouco incentivo e visibilidade da sua vertente. Nestes casos, palavras à parte, é nas entrelinhas e no tom nada radiante dos discursos que se capta o estado de alma dos artistas. "Estamos a deixar o palco para os mais novos que querem abraçar a carreira", disse Joaquim Viola. "É uma honra muito grande para mim ser homenageado hoje ao lado dos Impactos4, em quem me inspirei para começar a cantar e fazer música", acrescentou Fay. Eles mereciam, de facto, mais, a começar mesmo pela divulgação das suas músicas, o que na última década tem sido bastante esporádico, com uma agenda discográfica das rádios e televisões muito voltada à "música" urbana, servida em doses e entulho electrónico.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

(arquivo) ORATURA

"Oku cita osoma ha co ko oku yovoka; cimwe vakwene vosivaiya, ove u njali ofila mwenle opo" (*)

TRADUÇÃO - Ter um filho rei não é necessariamente estar a salvo; se calhar ele é louvado na rua, mas tu em casa morres na desgraça

(*) palavras de uma tia minha em jeito de moral de um conto que ela partilhou comigo, o qual reproduzirei em Umbundu e Português quando tiver um pouco mais de tempo e calma.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Entrevista | Gociante Patissa: Em Angola línguas nacionais tem um "status" secundário | Áudio | Acaba de sair a SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA QUE CONCEDI À RÁDIO VOZ DA ALEMANHA DURANTE A PRESENÇA NA FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT, ao microfone da repórter Nadia Issufo

Política linguística deve ser revista para dar um estatuto as outras línguas nacionais, reivindica escritor e linguista Gociante Patissa. Para ele, promoveu-se o português e descurou-se das outras, promovendo a exclusão.
E o seu primeiro prémio, enquanto escritor, deveu-se ao empenho na divulgação do Umbundo, sua língua materna. A DW África conversou com o escritor angolano sobre a política linguistíca em Angola.
DW África: É linguista e o seu primeiro prémio deveu-se ao seu empenho na divulgação do Umbundo. Alia sempre a sua formação às suas obras?
Gociante Patissa (GP): É inevitável por um lado. Por outro lado, sou um ser insatisfeito em relação à questão da política linguística em Angola. Penso que criamos um monstro chamado língua portuguesa e descuramos do resto. E às vezes compreendo, penso que houve uma necessidade  ao longo dessas décadas de conseguir um equilíbrio enquanto nação, fazendo desse conjunto de nações uma só, já que por detrás da língua há outros fatores. Mas é altura de repensarmos, há pessoas que vão nascer, crescer  e morrer sem lhes fazer falta a língua portuguesa. Então, uso as técnicas científicas para ao meu nível promover a minha língua, o que é difícil porque temos ainda o problema da dualidade de grafias. Não entendo porque uma língua tem de ter duas grafias diferentes, vamos falar da colonização e da igreja, mas as línguas são anteriores a colonização e a igreja. O católico e o protestante falam a mesma coisa, mas quando chega a hora de codificar codificam diferente. Isso depois tem como consequência o desencorajamento da produção em línguas nacionais, como é que vão ler?
DW África: Ainda sobre a política linguística em Angola, no que se refere a promoção das outras línguas nacionais o que gostaria de ver melhorado?
GP: Muita coisa, primeiro é a questão da política do Estado e o Estado tem de assumir isso, mais do que tem feito até agora. Sei que há um estudo de harmonização. Em 2012 fui entrevistado por uma jornalista inglesa e soube através dela que tinha sido encomendado um estudo a um académico africano para a harmonização ortográfica das línguas de matriz Bantu. Até hoje, volvidos 20 anos, não se sabe pelo menos o ponto de situação. Depois é a maneira como se olha [para elas], o status secundário é atribuído as línguas nacionais. O jornalismo, por exemplo, é feito em língua portuguesa, mas quando se fala em jornalismo em línguas nacionais na verdade não é jornalismo, é tradução a quente do texto em português e as deturpações que disso advém. Portanto, é preciso dar as línguas os estatutos que elas merecem. Tem de se fazer muita coisa, estou a reclamar do Estado porque ele é o decisor e quem superintende ao nível macro as políticas. Mas depois há também há questão do cidadão, por exemplo, na rua, eu falo muito bem o umbundo melhor até que o português, se eu saudar uma varredora de rua [em umbundo] ela me vai automaticamente responder em português, porque ela interpreta que lhe estou a desqualificar. Naturalmente há algumas províncias que dão algumas expetativas, eu gosto de ir ao Humabo, lá há menos complexos do que há em Benguela e em outras províncias, mas ainda assim não satisfaz. É preciso dar um suporte a isso. Por dia a televisão tem cerca de meia hora de noticiário em umbundo, o que é meia hora? É nada.
Schulkinder in Kuito
Uma escola primária no Kuito, Angola. No país o ensino é principalmente ministrado em português
DW África: No seu percurso houve também uma passagem pela rádio, aliás, o que também transportou para a sua escrita. Gosta da forma como se faz rádio em Angola?
GP: Não, não gosto porque tenho estado a ler muito e leio um autor cubano que se chama Ignácio Virgil?? que diz que a rádio deve transmitir a vivência da comunidade. E atualmente penso que o conceito de rádio é um pouco elitista e de exclusão, faz-se muito o trabalho de estúdio, fala o artista, fala o empresário, fala o comerciante, fala o governante e às vezes fala o académico, [mas] o cidadão comum não fala para a rádio, a não ser que tenha saldo para o telefone ou que tenha cometido um crime e queira prestar contas a sociedade. Eu gostaria de ter uma rádio mais virada para a integração, para a promoção cultural, uma rádio onde a pauta informativa não relegasse para o fim do noticiário, por exemplo um evento cultural. Temos rádios especializadas no desporto, poderíamos pensar em rádios especializadas na cultura. Já há um jornal, infelizmente é quinzenal e tem uma circulação bastante complexa e limitada. Gostaria de uma rádio, mas não banal, que saiba ser o rosto da comunidade.
DW África: Há no seu país uma restrição considerável no que diz respeito a abertura de rádios. Com vê isso no contexto do acesso a informação e da liberdade de imprensa?
GP: Deixei de fazer jornalismo há alguns anos, então não estou tão inteirado sob o ponto de vista dos "dossiers" do assunto e é um pouco arriscado tecer comentários mais profundos quando a gente não está tão familiarizada com os assuntos mais recentes da área. Mas eu acho que é complexo, pelos debates que vou acompanhando o quadro que se avizinha não é muito bom porque primeiro mata a figura do freelancer. Doravante fazer jornalismo significa pertencer a uma empresa, isso faz com que a subserviência seja ainda maior, porque se você for minha diretora e eu refilar consigo automaticamente eu deixo de fazer jornalismo. E outra coisa, havia uma esperança de abertura de rádios comunitárias e penso que no atual figurino as rádios ainda não forma contempladas. Então, o que vai acontecer, vamos ter uma relação muito tensa entre o profissional as entidades empregadoras, penso que não é um quadro muito bom. Era bom ouvir o outro lado também, temos estado a ouvir o outro lado das pessoas que são contra o espírito da nova lei, então era bom ouvirmos o outro lado e percebermos os seus fundamentos. Mas penso que o quadro que se avizinha não é de todo próspero.
DW África: Tem um blog ou dois?
GP: Tenho dois, o Angodebates, que generalista e o Ombembwa, palavra umbundo que significa paz. Inicialmente [este último] era para ter mais conteúdo de natureza linguística, mas não tenho tido muito tempo para fazer pesquisa, então é mais passivo que o Angodebates.
Frankfurter Buchmesse, Gociante Patissa, Schriftsteller aus Angola
Alguns livros de Gociante Patissa
DW África: Os seus blogues são uma plataforma para o seu mundo literário?
GP: Sim, mas agora há uma inversão, quando começou o maior número de leitores era de Portugal, Brasil e só depois de Angola. Depois houve uma inversão, penso que há duas variáveis: uma é que houve melhorias em Angola no acesso a internet, não podemos negar isso, e por outro lado penso que passou a haver também maior interesse para o consumo interno dos blogues. E é interessante porque essa inversão surge numa altura em que já há o Facebook e outras plataformas que poderiam distrair. E os meus blogues, tal como o Facebook acabam também por divulgar a minha obra em quanto escritor, Vou lá colocar fragmentos, há contos que na verdade evoluem de crónicas, é uma estrada de dois sentidos.
DW África: Homem de muitas paixões, já vi que não se separa da sua máquina fotográfica. Fale-nos desse mundo também...
GP: Vivo profissionalmente numa área que não gosto, acho que nunca gostei e nunca vou gostar. Respeito e tenho uma atitude profissional, mas se não faço arte eu expludo. Trabalho há quase dez anos na aviação, não é uma área que me apaixona, não sou hipócrita e não finjo que me agrada. Tenho bom emprego, mas em termos de  natureza da atividade não é o que gostaria [de fazer]. E isso empurra-me com cada vez mais energia para aquilo que eu gosto. A minha ligação com a fotografia tem também a ver com a sobrevivência, quando aos 15 anos precisei de arranjar emprego para pagar os meus estudos na sétima classe fui bater a porta a uma casa de fotografia, penso que já havia uma relação. Então aprendi a fotografar, mas numa perspetiva mais comercial, mas ao longo desses anos sempre fui fazendo fotografia de autor e nos últimos tempos, com um pouco mais de recursos, fui evoluindo. Faço umas mais documentais e outras artísticas, é uma paixão muito grande. Acho que no futuro, na reforma, eu já a andar de bengala vou dedicar-me só a fotografia.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Onjimbi londuko ya Diabick yatusyapo. Watula omwenyo. Vati cakala henlã mumwe vocitumãlõ cuhayele vombala yofeka. Eye wainda lokuvela anyamo valwapo naito. Ovisungo vyaye vikoka upongo cilo.

UMB: Onjimbi londuko ya Diabick yatusyapo. Watula omwenyo. Vati cakala henlã mumwe vocitumãlõ cuhayele vombala yofeka. Eye wainda lokuvela anyamo valwapo naito. Ovisungo vyaye vikoka upongo cilo.

PORT: O músico chamado Diabick deixou-nos. Poisou o fôlego. Informações disponíveis indicam que foi ontem na capital do país. Andou doente nos últimos anos. As suas músicas neste momento remetem ao pranto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

sábado, 7 de janeiro de 2017

Umbundu é a segunda língua do país

(Texto e foto: Jornal de Angola, 6 Jan 2017)

O umbundu é a segunda língua mais falada em Angola, representando 22,96 por cento da população, o que corresponde a cerca de 5,9 milhões de pessoas, depois do português, que é falado por 71 por cento da população.

Depois do português e do umbundu aparecem o kikongo, com 8,3 por cento, e o kimbundu, com 7,8 por cento. Seguidamente vêm as línguas côkwe, nganguela, nyaneka, fiote, kwanyama, luvale e muhumbi com percentagens que variam entre os três e um por cento.
Os dados são do Censo Geral da População e Habitação, o primeiro realizado depois da proclamação da Independência Nacional, em 11 de Novembro de 1975, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A população angolana é constituída por 25,7 milhões de habitantes, dos quais 12,4 são homens, o que corresponde a 48 por cento, e 13,2 são do sexo feminino, o que corresponde a 52 por cento.

O último censo realizado pela administração colonial portuguesa ocorreu em 1970 e mostrou que a população era constituída por 5,6 milhões de habitantes.
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Nota do blog Angola, Debates & Ideias: Investir na actualização do código da grafia (línguas Bantu), que é bom, para daí incentivar a produção de bibliografia e literatura diversa nessa tal segunda língua, isso é que quem de esquerdo não prioriza

domingo, 1 de janeiro de 2017

Para falantes de Umbundu | EXERCÍCIO DE TRADUÇÃO DE TRECHO DE HINO CRISTÃO (IESA) | Vale ou um livro ou um mosquiteiro

"Tukwete Suku oli lomwenyõ
Twakolapo
Suku yetu ka pongoloka
Twakolapo
Ovitima
Vyetu
Ka vi ka tokotelwe
Levi tulete
Pamwe vyevi viyevala
Twañwaliwã lolohoka vyaYehova
Cetu okuhã
Momo Eye otuyakelako
Cetu okuhã
Momo Eye otuyakelako"

Tempo a contar. Mãos à obra
www.ombembwa.blogspot.com

Conto | "UMWE WAYONGWILE UKEMA" / "O FULANO QUE QUERIA FAMA" (sabedoria popular em Umbundu e Português)

Foto: Rede Angola
Umbundu | UMWE WAYONGWILE UKEMA (*)

Kwakala ukwenje umwe wainda lesakalalo, cokuti lotulo ka kwatele. Wainda lokulipulapula ukwenje wu ndeti. "Cilingila nye okuti, ame ndicimumba cocimatamata, letosi lyukema si kwete?! Cilingila nye okuti layumwe ño, vimbo, ofetika ombangulo yokuti nditukwiwa ame?”
Ukwenje wiya ocisokolola swim… okwiya wakwata ocisiminlõ cimwe “culoño”. Wavanjiliya okuti, catete, kuyuna omunu oyongola ukema, okukulihã pi pakasi omwenyo womanu vimbo. Etambululo lyeli okuti: povava! Omo okuti, ndaño mwenle cina oholwa, alopo yinywã ovava.

Cina mwenle okuti ka kwacile ciwa handi, ukwenje mba olimba vonjila yokocisimo (ale onjombo). Eci apitinlã vali, ka suminle: ofetika okuniã. Eyumbu lyocili, halyo lihenlã syõ, pomenlã wonjombo yovava vokunywã. Noke eye wasyapo oluhaku waye. Olondona eci vyakapitinlã lomenle, oco vitape ovava, vyasaña okuti, hayo!, elundu lyeniñã lyekongo. Vokasimbusimbu, olwiya wowo kowiñi. Eci tumõla nye?!

Ukwenje kefetikilo wasanjukile, ndayu ocipango caye catelinsiwa. Pwãi, oku ceya okupitinlã, ema lyolyo ho. La Sekulu yimbo, Soma haye tiyu yayi, wovanjela ovitangi. Oco Nda hem tulinga tuti Soma ocilyangu, yu wanyõlã ocimumba caye? Cilingila nye okuti ukulu wendamba okulonga ovimumba ka citenla, vakwê?!

Osapi yondaka tunõlãpo yeyi okuti: onjila yokusanda ukema ciyongola okuyenda ciwa, momo ukema kuli vo una ka waposokele.

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(*) Olusapo woponjango kimbo lyetu.
Gociante Patissa, vo Mbaka, keteke lyakwim vavali, kosãi ya Kupemba, kuyãmo wolohulukãi vivali lekwim la umosi
www.ombembwa.blogspot.com
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Português | O FULANO QUE QUERIA FAMA

Havia um jovem que andava bastante aflito, o que resultava em insónia mesmo. Não parava de se questionar. “Como é que eu, sobrinho de entidade, não tenho um pingo de fama sequer?! Como é que, na aldeia, nunca sou objecto de conversa?”

Pôs-se então o jovem a matutar… até que teve uma “sábia” descoberta. Notou que, o básico para quem procura fama, urgia determinar onde reside a “vida colectiva”. A resposta foi: na água! Porque até o mais incorrigível dos bêbados bebe água.

Foi pela madrugada em direcção ao poço. E sabia bem o que fazer assim que chegasse. Tanto o sabia como o fez: defecou ali mesmo. Certificando-se de ter expelido bosta em volume (e fedor) suficientes para os fins publicitários que se propunha, cuidou de deixar ali a sua alparcata. Algum tempo depois, foram chegando, uma atrás da outra, as donas de casa, na tradicional missão de acarretar água. A palavra espalhou-se à velocidade de cruzeiro.

Satisfeito da vida estava o jovem, que se (ou)via na boca do povo pela primeira vez na vida. Mas pouco durou a alegria, porque se começou a questionar até que ponto o regedor não seria bruxo e passado o mal para o sobrinho. De outro modo saberia impor autoridade de encarregado em relação ao sobrinho.

Moral da estória: na procura da fama alguma moderação é necessária – é preciso não procurar a cadeira com o cú – pois nem toda fama é positiva.
(*) Contos contados nas fogueiras da Nossa Terra.

Gociante Patissa, em Benguela, no dia 25 de Maio de 2016